XVIII Congresso Brasileiro de Aterosclerose

Dados do Trabalho


Título

QUEIXAS E RISCO PARA DISTURBIOS DO SONO EM PACIENTES COM HIPERLIPIDEMIAS PRIMARIAS E SECUNDARIAS

Introdução

O objetivo do estudo foi investigar o padrão de sono e a presença de queixas e risco para distúrbios do sono em pacientes com hiperlipidemias primárias e secundárias, e os parâmetros lipídicos relacionados a alterações no sono.

Material e Método

Os pacientes foram recrutados no Ambulatório de Lipídeos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Foram coletadas informações sociodemográficas, medidas antropométricas, dados clínicos e perfil lipídico (colesterol total – CT, triglicérides - TG, HDL e LDL). Qualidade do sono e queixas de insônia foram avaliados por meio do Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh. O risco para a apneia do sono foi calculado usando o escore NoSAS. Sonolência diurna foi avaliada utilizando a Escala de Sonolência de Epworth. Os dados são apresentados como frequência ou média±ep, p=5%.

Resultados

A amostra foi composta por 55 pacientes (56,4% mulheres), idade 64,4±1,6, IMC 27,7±0,6, circunferência de pescoço 37,9±0,5 (homens 40,4±0,5 vs. mulheres 36,0±0,5, p<0,05). 14,5% relataram fumar e 50,9% da amostra era sedentária. O tempo de sono foi de 5,6±0,2 h, com 47,3% da amostra com tempo de sono <6 h. A latência para início do sono foi 69,0±12,1 min. Os pacientes apresentaram frequência significativa de queixas de insônia (69,1%), alto risco para apneia do sono (60%) e sono de má qualidade (78,8%, sendo mais frequente em mulheres: 65,1% vs. 34,9%, p<0,05). 34,5% da amostra relatou ter sonolência excessiva diurna. 52,6% dos indivíduos com queixas de insônia também relataram dormir menos de 6 h, e 55,3% tinham queixa de insônia e alto risco para apneia do sono. Pacientes com queixas de insônia apresentaram maiores níveis de TG em relação aos pacientes sem queixas (219,2±28,9 vs. 126,3±15,3, p<0,05). Foi encontrada uma correlação positiva entre a latência para início do sono e os níveis de TG (r=0,42, p<0,05), CT (r=0,48, p<0,05) e LDL (r=0,62, p<0,01). Dos 55 pacientes, 32,7% (n=18) foram diagnosticados com hipercolesterolemia familiar-HF. Não encontramos diferenças significativas no perfil sociodemográfico e nos parâmetros de sono e distúrbios do sono entre os pacientes HF e não-HF.

Discussão e Conclusões

Pacientes hiperlipidêmicos apresentam queixas de insônia, sono de curta duração e com má qualidade, e alto risco para apneia do sono. Pacientes com insônia apresentaram níveis mais elevados de TG. Quanto maior o tempo para iniciar o sono, maiores níveis de TG, LDL e CT. Os resultados evidenciam a importância de avaliar os distúrbios do sono, visto que as alterações no sono podem ter relação com pior desfecho clínico. 

Palavras Chave

Hiperlipidemias, perfil lipídico, padrão de sono, distúrbios do sono

Área

Pesquisa Clínica

Instituições

Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - São Paulo - Brasil, Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - São Paulo - Brasil, Universidade Federal da Bahia - Bahia - Brasil

Autores

PAULA ARAUJO, Paula Lopes Souza, Ana Gabriela Furlaneto Koga, Renato Jorge Alves