XVIII Congresso Brasileiro de Aterosclerose

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Dados do Trabalho


Título

QUALIDADE DO SONO E PERFIL LIPIDICO EM PACIENTES COM HIPERCOLESTEROLEMIA FAMILIAR

Introdução

Estudos observacionais associam a presença de distúrbios do sono com alterações no perfil lipídico. Porém, há escassez de dados que avaliam se disfunções do sono teriam correlações clínicas com o perfil lipídico em doenças metabólicas genéticas que predispõem o paciente a eventos cardiovasculares.

Material e Método

Foram recrutados pacientes com diagnóstico clínico de HF no Ambulatório de Lípides da Santa Casa de São Paulo. Dados sociodemográficos e parâmetros antropométricos foram coletados. Qualidade do sono e queixas de insônia foram avaliados pelo Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh. O risco para a apneia do sono foi calculado usando o Questionário NoSAS. Sonolência excessiva diurna foi avaliada utilizando a Escala de Sonolência de Epworth. Dados objetivos do padrão de sono foram coletados por meio da actigrafia e do diário do sono. Nível de significância adotado foi de 5% (JAMOVI-Stats).

Resultados

Dos 33 pacientes com hiperlipidemia do tipo IIa (Classificação Fredrickson), 18 foram diagnosticados com HF (77,8% mulheres, idade 64,1±2,5, IMC 27,1±0,6, 50% sedentários, Dutch Lipid Clinic Network Score 3-8 ptos). 55,6% dos pacientes HF apresentaram tempo de sono menor que o recomendado para a idade (média tempo total de sono: 5,2±0,4h), a latência para início do sono 69,4±19,5 min, 77,8% relataram sono de má qualidade, 77,8% queixas de insônia, 50,3% da amostra com risco para apneia do sono e 38,9% com sonolência diurna excessiva. Oito pacientes foram submetidos à actigrafia e diário do sono. A amostra foi composta por mulheres, idade 58,6±3,6  anos (48-76), IMC 26,9±1,0 (24,2-33,0), circunferência pescoço de 35,6±0,4 cm (34-38), e 50% da amostra classificada como provável HF. Os dados da actigrafia demonstraram tempo de sono 7,5±0,1h, latência 27,9±9,4 min, eficiência do sono 81,2%, WASO 56,0±7,7 min.

Discussão e Conclusões

Pacientes com HF relatam frequência elevada de sono de má qualidade e queixas de insônia. Cerca de metade da amostra relata sono de curta duração e alto risco para apnéia do sono. Dados da actigrafia contrapõem os relatos subjetivos de tempo de sono, porém confirmam a má qualidade do sono, evidenciada pela baixa eficiência e alto número de despertares. Os dados destacam a importância clínica de avaliar o sono de maneira subjetiva e objetiva no acompanhamento de distúrbios do sono em pacientes com doenças metabólicas genéticas como a Hipercolesterolemia Familiar.

Palavras Chave

colesterol, hiperlipidemias, lipídeos, sono

Área

Pesquisa Clínica

Instituições

FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA DE SÃO PAULO - São Paulo - Brasil

Autores

PAULA LOPES DE SOUZA, PAULA CRISTINA ALVES ARAUJO, ANA GABRIELA FURLANETO KOGA, RENATO JORGE ALVES