XVIII Congresso Brasileiro de Aterosclerose

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Dados do Trabalho


Título

EFEITO DA INERCIA TERAPEUTICA NO CUMPRIMENTO DAS DIRETRIZES DE PREVENÇAO CARDIOVASCULAR EM DIABETICOS: RESULTADOS DO BRAZILIAN DIABETES STUDY

Introdução

A diabetes mellitus tipo 2 (DM2) implica em risco aumentado de doença arterial coronariana. A obtenção de metas de controle lipídico mais agressivas – em especial, da lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) – é uma estratégia possível para a atenuação do risco cardiovascular nesta população. A proporção de indivíduos que atingem as respectivas metas segue baixa. Nesse estudo, avaliamos a proporção de diabéticos com controle lipídico e o potencial impacto da intensificação da terapia hipolipemiante sobre a obtenção destas metas.  

Material e Método

Foram considerados pacientes incluídos do Brazilian Diabetes Study, coorte prospectiva de DM2, com avaliação laboratorial do perfil lipídico. Os pacientes foram então classificados, conforme a “Diretriz da Sociedade Europeia de Cardiologia para Manejo de Dislipidemias de 2019”, em moderado, alto e muito alto risco cardiovascular, e metas de LDL-C de <100mg/dL, <70mg/dL e <55mg/dL, respectivamente, foram consideradas. Nos participantes fora das metas, estimou-se a redução relativa de LDL-C que seria obtida pelo início de estatina, intensificação do regime de estatina em uso, ou introdução de ezetimiba. Para tanto, os regimes de estatinas foram considerados como baixa potência (sinvastatina 10mg), moderada (sinvastatina 40mg, rosuvastatina 10mg) e alta potência (atorvastatina 40-80mg, rosuvastatina 20-40mg). Inércia terapêutica foi considerada quando fora das metas, sem terapia otimizada.

Resultados

Um total de 1.030 indivíduos foram incluídos nesta análise e distribuídos conforme seu risco CV em moderado (n=314), alto (n=155) ou muito alto (n=561). A taxa de controle lipídico diminuiu significativamente com o aumento do risco CV (42,8%, 14,4% e 7,8% para risco moderado, alto e muito alto, respectivamente; p=0,001). O uso de estatinas correspondeu a 44,5%. Entre os usuários de estatina, os participantes estavam em terapia de baixa (3,7%), moderada (80,8%) e alta intensidade (15,5%). Terapia combinada de estatinas e ezetimiba foi incomum (2,2%). A taxa de cumprimento da meta teria sido aumentada pela intensificação da terapia hipolipemiantes (18,8% vs. 35%; p<0,00001).

Discussão e Conclusões

A inércia terapêutica mostrou-se uma causa imperativa de não-conformidade com os objetivos das diretrizes em nosso estudo. A prescrição de intervenção hipolipemiantes apropriada, seja por terapia combinada ou escalonamento para regimes mais potentes, teria aumentado significativamente a prevalência de controle lipídico.

Palavras Chave

Metas lipídicas; terapêutica; risco cardiovascular

Área

Pesquisa Clínica

Instituições

UNICAMP - São Paulo - Brasil

Autores

BEATRIZ MARTINELLI LUCHIARI, Joaquim Barreto, Isabella Bonilha, Vaneza Waldow Wolf, Íkaro Breder, Luiz Sergio Carvalho, Andrei Sposito